Portagens para camiões nos Países Baixos: como podem os transportadores enfrentar o aumento de custos

Portagens para camiões nos Países Baixos: como podem os transportadores enfrentar o aumento de custos?
Os Países Baixos vão implementar um sistema de portagens para camiões que terá um impacto significativo no setor logístico. Para os transportadores que operam no país, isto traduz-se em custos mais elevados, que nem sempre podem ser repercutidos diretamente nos clientes. Além disso, prevê-se que a pressão sobre os custos aumente nos próximos anos, tornando os quilómetros em vazio mais caros do que nunca. É um desastre? Não necessariamente, mas é um desafio. Existem estratégias para atenuar este impacto, e uma das mais eficazes passa por partilhar carga.
O que espera os transportadores nos Países Baixos e como responder
A portagem neerlandesa para camiões entra em vigor a 1 de julho de 2026, deixando muitos transportadores com pouco tempo para se prepararem. No caso dos camiões a gasóleo, os custos poderão aumentar até 7% e, a partir de janeiro de 2028, até 12%. Esta medida tem gerado urgência e incerteza entre transportadores e transitários que operam nos Países Baixos. No entanto, a legislação em si é previsível: o importante é saber como responder de forma estratégica. Existem formas de conter o impacto financeiro. O que podem esperar os transportadores? Como podem reagir? E como podem controlar o aumento de custos?
Portagem neerlandesa: o que os transportadores precisam de saber
A portagem afetará quase todos os veículos com mais de 3,5 toneladas que circulem em estradas neerlandesas. Apenas os veículos de zero emissões até 4.250 kg beneficiam de um limiar de aplicação mais elevado. Os camiões que utilizam combustíveis fósseis pagarão mais do que os veículos elétricos.
As tarifas são determinadas em função de:
- Peso do veículo
- Número de eixos
- Classe de emissões Euro
A portagem será aplicada principalmente em autoestradas, com cobertura parcial em estradas provinciais e municipais. Os dispositivos obrigatórios a bordo registam se um veículo tem de pagar portagem durante um trajeto. O Governo neerlandês procura um transporte rodoviário mais limpo e eficiente, e as receitas das portagens deverão ser reinvestidas no setor para impulsionar novas iniciativas de sustentabilidade.
Como podem os transportadores responder ao aumento líquido de custos?
Para praticamente qualquer transportador, transitário ou carregador que opere nos Países Baixos, os custos aumentarão devido às portagens. Estes incrementos somam-se a outras pressões já existentes, como a subida salarial ou os prémios de seguro. Segundo o ING, o aumento líquido de custos atribuível apenas à portagem poderá situar-se em torno de 7–8%. A questão-chave é: como podem os transportadores responder?
A resposta resume-se em quatro ações estratégicas:
- Ganhar visibilidade e controlo
- Tomar decisões baseadas em dados
- Colaborar
- Envolver os carregadores
Na prática, os transportadores que o gerirem com sucesso terão de aplicar as quatro.
1. Ganhar mais visibilidade e controlo através de dados
O primeiro passo é analisar os custos por viagem e identificar que trajetos são rentáveis e quais não são. A visibilidade também implica compreender como os aumentos de custos afetam diferentes veículos e as rotas atuais e futuras. Nem todas as rotas estarão totalmente sujeitas à portagem, mas a maioria estará. O ideal é registar dados de viagens e custos num Sistema de Gestão de Transportes (TMS).
2. Da análise de dados à tomada de decisões
Com dados claros, o transportador pode tomar decisões com critério. Por exemplo:
Decidir se realiza uma rota com meios próprios ou se a externaliza através de um parceiro ou de uma plataforma.
Estabelecer fluxos fixos dentro de uma rede, mesmo que seja para um ou dois paletes por dia ou por semana.
Neste contexto, fazer desvios para um cliente deixa de ser rentável. A colaboração estreita e o planeamento estratégico tornam-se críticos. De facto, iniciativas como a Topsector Logistiek, nos Países Baixos, estão a desenvolver guias passo a passo para impulsionar a colaboração entre transportadores. Decisões baseadas em dados sobre trajetos, fatores de carga e custos determinam, muitas vezes, o sucesso ou o fracasso.
3. Colaborar com os carregadores
Negociar com carregadores pode ser complexo, mas é essencial. Embora um carregador possa mostrar-se relutante em partilhar o aumento de custos, uma discriminação transparente do impacto e das poupanças possíveis pode facilitar a cooperação.
Por exemplo:
- Reduzir a frequência de entrega
- Ajustar preços em determinadas rotas
- Permitir entregas através de transportadores parceiros
Quando existem dados e argumentos claros, os carregadores tendem a estar mais disponíveis para se adaptar, gerando resultados em que ambas as partes ganham.
4. Melhorar margens através da partilha de carga (load sharing)
A análise de dados-chave também permite identificar como melhorar o fator de carga e reduzir a pressão sobre a margem. Aqui, as bolsas de cargas desempenham um papel determinante. Recolher uma carga na viagem de retorno aumenta a utilização e gera receita adicional. Mesmo que apenas uma pequena percentagem dos envios passe por estas plataformas, a margem pode melhorar de forma significativa. No acumulado anual, pode fazer a diferença entre fechar com lucro ou com prejuízo.
Como se enquadra a portagem neerlandesa no panorama europeu do transporte
Embora a portagem se aplique especificamente a veículos que operam nos Países Baixos, faz parte de uma tendência mais ampla na Europa: a introdução de taxas de utilização de infraestruturas para veículos pesados. Vários países (incluindo Alemanha, Áustria, Suíça e França) já têm portagens ou sistemas de tarifação para camiões.
Para os transportadores que operam de forma transfronteiriça, isto implica planear não apenas a portagem neerlandesa, mas também o custo acumulado de portagens em vários países. O planeamento eficiente de rotas, a otimização de carga e a utilização de bolsas de cargas tornam-se ainda mais críticos para manter a rentabilidade em redes europeias. Compreender a portagem neerlandesa no seu contexto europeu ajuda a tomar decisões estratégicas para toda a frota, evitando custos desnecessários e melhorando a eficiência operacional
Priorizar a eficiência ajuda a evitar esforço desnecessário
A portagem neerlandesa está prestes a chegar e obriga os transportadores que operam nos Países Baixos a agir. Planeamento e operações devem coordenar-se em todas as frentes. Ainda assim, o cenário não é totalmente negativo: existem oportunidades para melhorar fatores de carga e eliminar trajetos não rentáveis. Num dos principais hubs logísticos do país, resume-se assim: “Não se trata de trabalhar mais, mas sim com mais inteligência”. Com as ferramentas adequadas, dados e visibilidade, os transportadores podem tomar melhores decisões e gerir o aumento de custos com maior controlo.