“Recomendaria aos transportadores que trabalhassem mais no seu negócio e não tanto dentro dele.”

30 de abril de 2026
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Tobias van Rees, diretor da empresa de transporte e transitária Interlogic, partilha as decisões que tomou, para que outros transportadores as possam também considerar. 

Quando questionado sobre a evolução dos preços no setor do transporte ao longo da última década, Van Rees responde com clareza: 
“Os custos aumentaram enormemente, sobretudo os custos laborais. As convenções coletivas ficaram significativamente mais caras. Não há nada de errado nisso, mas significa que, em viagens de média distância, os nossos custos são, em grande parte, salários. A isso somam-se as portagens. A Alemanha é o melhor exemplo: pagamos 38 cêntimos por quilómetro percorrido. Isto obriga-nos, enquanto transportadores, a olhar com imenso detalhe para o que fazemos realmente como empresa.” 

A portagem obriga a novas decisões 

A Interlogic tem vindo, há muito, a repensar onde faz mais sentido colocar o foco. Ainda assim, Van Rees afirma: “A portagem marca um novo capítulo na tomada de decisões.” Mais à frente volta a este ponto, já que a Interlogic nasceu há dez anos precisamente porque Van Rees não concordava com a abordagem de muitos colegas do setor: “Muitos transportadores concentram-se numa parte muito específica do mercado e em regiões como o norte de França ou o Benelux. Se o destino fica um pouco fora dessa zona, a resposta a um pedido do cliente costuma ser ‘não’. E o que o cliente quer, na realidade, é que todo o transporte seja assegurado.” 

Neste sentido, a Interlogic propõe-se servir qualquer cliente, mas em condições próprias: 
“Quando começámos, dissemos que apoiaríamos os clientes em qualquer necessidade de transporte rodoviário. Para o que não conseguimos cobrir nós, recorremos a parceiros. Se o cliente pede algo extra, custa um pouco mais, ou envolvemos um parceiro. São opções que se colocam em cima da mesa: o cliente pode aceitá-las, ou não.” 

“Empresários e coordenadores logísticos terão de se relacionar muito mais com outros profissionais do setor.”

Por isso, a introdução da portagem volta a exigir decisões, explica Van Rees: 
“Se faz muitos quilómetros em vazio, tem de começar a preenchê-los. Além disso, há perguntas a responder: tem as pessoas certas para esta nova abordagem? E: será que faz sentido que um parceiro assuma parte das rotas atuais? Empresários e planeadores terão de se relacionar muito mais com outros profissionais do setor para, em conjunto, construírem um modelo de transporte rentável.” 

Ajustar estruturas de rota ou encontrar carga adicional 

O diretor da Interlogic observa que a incerteza cresce não apenas entre transportadores, mas também entre carregadores: “Falo de empresas que ainda não são nossas clientes, mas que têm frota própria ou trabalham com um transportador pequeno. O carregador contrata o transportador à hora para servir, por exemplo, 5 clientes por dia nos Países Baixos, cobrindo 500 quilómetros. Ao final do dia, o transportador regressa com o camião vazio. Uma viagem com uma portagem de 20 cêntimos por quilómetro passa, de repente, a custar mais 100 euros. Em muitos casos, será necessário ajustar a estrutura de rotas, talvez com um parceiro adicional ou com carga recolhida pelo caminho.” 

Van Rees considera que alguns carregadores estarão dispostos a assumir parte do vazio, mas, se a rentabilidade do camião continuar a cair, irão recuar: “É necessária mais colaboração ao longo de toda a cadeia.” 

Procurar cargas para preencher quilómetros em vazio 

Na hora de desenhar rotas mais eficientes, a Interlogic utiliza há algum tempo o seu próprio “data warehouse”, segundo Van Rees: 
“Registamos que quilómetros fazemos em vazio e, a partir daí, orientamos a operação para novos pontos de carga e descarga nas zonas onde o volume de vazios é maior.” Além disso, a empresa relaciona-se cada vez mais com outros transportadores: “Para encontrar o equilíbrio adequado, usamos a Wtransnet, entre outras ferramentas. A grande maioria dos nossos serviços é feita por nós ou com parceiros fixos, mas sobra sempre alguma carga solta. É aí que a bolsa de cargas é ideal. O mesmo acontece quando um camião fica sem carga na Holanda do Norte e a viagem seguinte só começa na Holanda do Sul. Para esse trecho intermédio, também usamos a Wtransnet. Diria que representa entre 2% e 5% das nossas viagens.” 

“Fale com os seus clientes: controlem os custos em conjunto.”

Segundo a Interlogic, a portagem acelera sobretudo a necessidade de os transportadores olharem, com mais eficácia, para as soluções ao seu alcance: 
“A solução mais importante é falar com os clientes sobre como podem ter um melhor controlo dos custos, em conjunto. A visibilidade conta: saber se compensa consolidar fluxos, fazer entregas com menor frequência em vez de diariamente, ou que impacto pode ter uma maior flexibilidade nas janelas horárias.” 

O papel do transportador evolui para o de consultor 

Se a conversa com o cliente não levar a uma solução viável, o transportador tem de ter coragem para tomar decisões: “Enquanto transportador, é cada vez mais o consultor do seu cliente. Os transportadores estão a evoluir para parceiros estratégicos. É importante que ambas as partes avaliem que parceiro se adequa a quem. Se um cliente não quiser acompanhar essa abordagem, pode significar o fim da relação. Recomendaria aos transportadores que trabalhassem mais no seu negócio e não tanto dentro dele. Vejam o que é possível e não tenham receio de dar novos passos ou de colaborar.”